PROJETO DE MAPEAMENTO MINERAL PODE CUSTAR ATÉ R$8 MI

PROJETO DE MAPEAMENTO MINERAL PODE CUSTAR ATÉ R$8 MI

Se aprovado, a CPRM pretende entregar o resultado em até dois anos e meio

O projeto Norte-Roraima, que pretende realizar ações voltadas para o estudo, identificação e mapeamento de áreas minerais em todo o estado, pode custar de R$ 4 mi a R$ 8 mi com duração de até dois anos e meio, de acordo com a Companhia de Pesquisas e Recursos Minerais (CPRM). A apresentação da proposta ocorreu na manhã desta quarta-feira, 27, na sede da Companhia de Desenvolvimento de Roraima (Codesaima).

Conforme o diretor de Geologia e Recursos Minerais da CRPM, José Leonardo Andriotti, a expectativa é definir quais são as áreas de maior potencialidade mineral no Estado. Para isso, serão elaborados os mapas geológicos, geoquímicos e os aerolevantamentos geofísicos. Por meio deste tripé, haverá o cruzamento de informações para demarcar com maior precisão áreas favoráveis para recursos minerais.

“A gente já sabe da existência de ouro, diamante, de vanádio, de terras raras, de argilas, cobre, mas a gente quer fazer o estudo mais completo possível, provendo o Estado dessa informação. O que isso resultaria? A atração de investidores do setor mineral também”, afirmou.

Roraima é o único estado da federação que não possui um mapa geológico. Há cerca de 40 anos, antes das demarcações das terras indígenas, a CPRM chegou a visitar diversas localidades em Roraima. Porém, hoje, o Governo Federal deverá permitir oficialmente a entrada das equipes nessas terras.

“Tivemos acesso a algumas áreas anos atrás, só que não conseguimos completar, em alguns casos, e em outros não conseguimos voltar, porque foram criadas reservas indígenas e de proteção. Então nós ficamos no aguardo de uma liberação. Mas agora que esse assunto avançou na comunidade, esse trabalho irá começar em parceria com o governo do estado”, disse Andriotti.

A exploração mineral em terras indígenas de Roraima ganhou destaque neste ano, após a chegada de Jair Bolsonaro à presidência da República. Acreditando que o Estado possui potencial econômico baseado na mineração, ele chegou a classificar o Estado como a “menina dos olhos” de seu governo.

O geólogo Salomão Cruz, que tem mais de 40 anos de experiência na área, acredita que 90% do potencial mineral de Roraima está localizado em áreas indígenas, que deveriam ter sido mapeadas antes das demarcações.

“É inadmissível que você demarque área indígena sem saber qual o potencial do subsolo. Para mim, toda área indígena, antes de ser demarcada, ela tem que ser mapeada. Quando demarcada a terra indígena, o que não tem feito até então, nós deveríamos ter um trabalho feito de mapeamento básico pra conhecer o subsolo”, afirma.

Cruz destaca que a exploração em área indígena nunca foi proibida, porém há critérios que devem ser obedecidos

“Se você ler o artigo 231, parágrafo 3º da Constituição Federal [que trata do reconhecimento dos índios quanto à sua organização social, costumes, línguas e direitos originários sobre as terras que tradicionalmente ocupam], diz que a exploração é permitida. Mas depende do processo do requerimento enviado ao Congresso Nacional, que vai criar uma comissão, ouvir a comunidade afetada e decidir se autoriza ou não”, explica.

O geólogo confia no trabalho da CRPM, mas não acredita que a política de exploração mineral será estabelecida tão cedo. “É uma empresa séria, que trabalha com embasamento técnico. Ela jamais vai dizer que é viável, se não for. Só que o trabalho demanda tempo e com certeza não é no governo Denarium que a gente vai estabelecer uma política de exploração mineral em Roraima”, finaliza.

Fonte: Folha de Boa Vista/ADIMB

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