O Geólogo

O Geólogo: “Ninguém tem olhos mais atentos. Ou mais abertos. Pois não apenas vê: atravessa com o olhar. Para ele não há superfície, tudo tem profundidade. O indício que aflora é a perspectiva do oculto. O visível é apenas o fio da meada…

Nada lhe escapa à inquirição. Os olhos enxergam séculos na rocha que ali se eleva em paredão medonho. A mão acaricia o veio sinuoso e logo o transporta para origens e inícios. Os pés não pisam. Flutuam, para não machucar o solo onde – quem sabe? – se esconde o mistério que procura desvendar.

Inclina-se sobre o cascalho onde faísca o sonho. Colhe a amostra como se fosse o filho que tivesse gerado. Galga a escarpa, sobrevoa o abismo, rasga o horizonte, penetra o desvão, invade a fresta, caminha o vale, acarinha a terra, navega rios, porque sabe que as coisas vivas nascem dessas elevações, dessa vegetação, desses profundos, desses limites, dessas fendas, dessas amplidões, dessas poeiras, dessas águas, que ainda são a fonte para manter o mundo como foi, como é e como será…”
(DO LIVRO “DOCEGEOLOGIA”/ DoceGeo, trecho de texto do Jota D’ Ângelo)

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